A sociedade possui a tendência de categorizar e rotular toda forma de manifestação cultural, definindo onde uma termina e a outra começa, sem buscar um entendimento integral do todo. Por exemplo, a Ciência é contrária à Espiritualidade. No entanto, existem características em comum a todas, e quando as encontramos, podemos entender o mecanismo de funcionamento das coisas, além de confirmar sua autenticidade.

Se Religião, Espiritualidade, Ciência e Psicologia Transpessoal forem compreendidas de maneira correta, não pode haver conflito entre elas, se houver, é bem possível que estejamos lidando com uma falsa Religião, falsa Espiritualidade, falsa Ciência ou falsa Psicologia, pois todas tratam ocorrências naturais. Portanto, se faz necessário definir cada uma, e ao final, buscar seus pontos em comum.

Religião é um sistema de doutrinas, crenças e práticas rituais próprias de um grupo, estabelecido segundo uma determinada concepção de divindade e da sua relação com o homem. É uma atividade coletiva institucionalizada, que ocorre em um local determinado, templo ou igreja, possuindo um sistema de oficiais indicados que podem ou não ter tido experiências pessoais de realidades espirituais.


Um dos aspectos a ser considerado em um sistema de crenças, consiste em identificar se a busca da divindade é feita dentro ou fora do indivíduo. Os ensinamentos originais dos grandes mestres da humanidade são unânimes em afirmar que que a divindade não está no exterior do homem, e sim em seu interior. Jesus, quando interrogado pelos fariseus, sobre quando viria o reino de Deus, afirmou:

“Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós.”[1]

Jalal Rumi, teólogo persa do século XIII afirmava:

“Você é um volume no livro divino
Um espelho para o poder que criou o universo
Tudo o que você quer, pergunte a você mesmo
Tudo o que você está procurando só pode ser encontrado Dentro de você.[2]

Um dos registros dos ensinamentos orais de Siddhartha Gautama, chamado Sutra da Plataforma, anuncia:

“Quem é Buda? O Buda está dentro de você, e se você acordar, você o encontrará em si mesmo. Você é Buda. [3]

De maneira geral, estes ricos e verdadeiros ensinamentos, ao longo dos anos são deturpados pelas religiões, de maneira que a ideia original da divindade é completamente modificada, conforme Tolstói conta em seu livro “O reino de Deus está em vós”[4], ao adulterar uma ideia básico, a Religião perde totalmente a ligação com sua fonte espiritual, tornando-se uma instituição secular que explora as necessidades espirituais humanas sem satisfazê-las. No intuito de manter o poder e controle sobre as pessoas, essas instituições definem seus preceitos de acordo com a concepção da divindade que melhor lhes convém. Desta forma, ao definir quem é este “Deus”, criam regras de conduta, de acordo com o interesse da própria instituição, gerando em seus seguidores medo, temor e submissão, tanto à divindade quanto à própria instituição religiosa da qual faz parte.

Os “fiéis” acolhem então a definição da divindade estabelecida pela instituição religiosa, seguindo regras, rituais, e misticismos por ela definidos, terceirizando à igreja a responsabilidade por sua capacidade de pensar, e à “Deus” sua responsabilidade pelo seu modo de agir, pois a submissão não permite que ele seja o responsável direto por sua própria vida.

“As religiões organizadas tendem a criar sistemas hierárquicos que se concentram na busca de poder, controle, política, dinheiro, posses e outras preocupações mundanas. Nessas circunstâncias, a hierarquia religiosa não aprova e ainda desestimula as experiências espirituais diretas de deus membros, já que elas estimulam a independência e não podem ser controladas de modo eficaz. Quando isso acontece, a vida espiritual genuína fica restrita aos ramos místicos, às ordens monásticas ou aos setores extáticos das religiões envolvidas.”[5]

Atualmente, o Cristianismo, Evangelicalismo, Islamismo e Judaísmo possuem a ideia da divindade exterior ao homem.

Por outro lado existem Religiões que tentaram permanecer fiéis aos ensinamentos originais, estas não incluem uma ideia de “Deus” em sua filosofia, todo esforço é empreendido no intuito do aprimoramento do ser humano, reduzindo seus defeitos e aumentando suas qualidades, o faz enxergar que ele mesmo é o principal agente transformador de si. São exemplos o Budismo, Taoísmo, Jainismo e Confucionismo.

Ao buscar uma religião, o que algumas pessoas na realidade estão buscando é a Espiritualidade, seja consciente ou inconsciente, descobrir um sentido para suas vidas, saber seu lugar no universo, o caminho para a espiritualidade não exige nenhuma religião, no entanto, a religião é um processo bastante comum de na tentativa de alcançá-la.

Espiritualidade é buscar um significado para a vida por meio de conceitos que transcendem o tangível, à procura de um sentido de conexão com algo maior que si próprio. Envolve um tipo especial de relação entre o indivíduo e o cosmos. É estar conectado a sua própria essência, sua natureza real, independente dos valores da sociedade na qual está imerso.


Espiritualidade é a conexão com nosso Eu verdadeiro, é descartar as máscaras, títulos, e rótulos adquiridos perante a sociedade. É experimentar de maneira
direta a realidade espiritual. É o aprimoramento de nossa personalidade e a participação no aprimoramento do outro, tudo o que aprendemos e nos faz melhores que ontem, para sempre. É a identificação verdadeira com aquilo que somos de fato, e com o que estamos fazendo aqui.

As tradições antigas possuem grande sabedoria e profunda compreensão da vida, nos deixam seus importantes ensinamentos, ferramentas e técnicas para o autoconhecimento, como yoga, tantra, astrologia, meditação, práticas de respiração e relaxamento, para uma jornada ao nosso interior. Ao conhecer o nossa real essência, conhecemos também a mente e seus mecanismos de ação, pois não somos diferente dele, e assim podemos fazer Ciência de fato.

“No futuro, os estados de consciência serão reconhecidos como importantes ferramentas de investigação científica. Novas áreas na medicina vibracional exigirão um treinamento mental especializado a fim de se poder investigar a estrutura energética do corpo humano. Os avanços da medicina nesta direção aumentarão enormemente a nossa capacidade de efetuar diagnósticos físicos e certamente nos permitirão detectar as doenças mais precocemente do que os métodos convencionais atualmente em uso.”[6]

Ciência é investigar a natureza de algo a fim de conhecê-lo profundamente, entender sua origem e seu mecanismo de funcionamento, aplicando o conhecimento adquirido de forma a permitir a repetição da experiência. É a descoberta dos mecanismos naturais existentes, e não a criação de algo novo.


Desde cedo fomos ensinados a seguir um paradigma materialista, a sociedade ocidental considera o ser humano apenas como uma máquina,
desprovida de espírito. Este paradigma é apenas uma pequena parte dos valores de nossa sociedade, somos programados como andróides de alta escolaridade, primeiramente pelos pais, depois pela escola, universidade e igreja, acumulamos valores culturais que vão contra nossa natureza, e que confundimos com nossos próprios valores: poder econômico, competitividade sem limites, individualismo, materialismo. Compramos a ideia que a felicidade é ter uma alta graduação acadêmica, um bom salário e uma família, os momentos de lazer são preenchidos atividades externas ao indivíduo, jogos de competição, viagens, academias de ginástica, shopping centers, compras, etc.

Seguindo nossa programação de andróide, consideramos Ciência apenas aquilo percebido pelos limitados sentidos físicos, ignorando quem somos, de onde viemos, para onde vamos e a razão de estarmos aqui. Temos a pretensão de tentar conhecer o mundo, sem conhecer a nós mesmos, através de um profundo conhecimento do nada, pelo do estudo da ilusória matéria densa, que é apenas uma forma de manifestação de energia, um reflexo da realidade em si.

Limitados a esta visão restrita, os “cientistas” das universidades, parecem desconhecer a realidade de fato, aquela transcendente à matéria física, verdadeira responsável pelo funcionamento dos mecanismos naturais que tentam conhecer. Os verdadeiros cientistas atuam na fronteira do conhecimento, são visionários, que em pequenos grupos, integram Ciência e Espiritualidade, como essas são inseparáveis, para entender os processos de desequilíbrio da mente, precisamos considerar aspectos existentes em cada uma delas, de maneira integrativa, utilizando por exemplo a Psicologia Transpessoal.

Psicologia Transpessoal é o estudo da mente e seus processos, contemplando a multidimensionalidade, indo além do modo de pensar materialista, explorado pelos outros ramos da psicologia. Busca explorar outras esferas conscienciais, que transcendem o universo material, analisando a psique humana através de uma forma mais ampla.


A medicina ocidental, hoje responsável pelo restabelecimento da saúde mental dos indivíduos, adota o conhecido paradigma mecanicista-materialista utilizado pela sociedade,  e ao definir o indivíduo como uma máquina, sem pensamentos, sentimentos e energias, considera que tal máquina pode apresentar defeitos, neste caso chamado de “doença”.

Precisamos adotar uma nova forma de pensar, abarcando por exemplo o conhecimento das tradições milenares, conhecedoras profundas dos mecanismos de energia e Consciência, ideias confirmadas por institutos de pesquisa contemporâneos.

É necessário uma verdadeira revolução na medicina, através de uma mudança de paradigmas e conceitos, para verdadeiramente entender o mecanismo de equilíbrio da saúde, considerando a existência da multidimensionalidade, da Consciência ou Espírito e também das energias sutis, chamada de Ki, Chi, prana ou energia vital.

“A compreensão da nossa natureza multidimensional e a aplicação das modalidades médicas baseadas nas energias sutis permitirá que a medicina se livre da sua atual necessidade de recorrer ao uso de drogas e à realização de cirurgias, e passe a adotar métodos de cura mais naturais e menos traumáticos.”[6]

A medicina vibracional, já é uma realidade, através da Apometria, técnica desenvolvida pelo Dr. Lacerda de Azevedo, é possível acessar dimensões extrafísicas, invisíveis a qualquer médico encarnado:

“Em nossos trabalhos usamos médiuns videntes, que podem enxergar no plano astral, quando desdobrados. Já os médiuns experimentados podem ver e ouvir espíritos durante o transe de desdobramento, e se deslocar no espaço; visitam, então, colônias do astral; realizam eficiente trabalho de resgate de espíritos sofredores, participando de caravanas de socorro organizadas naquela dimensão; comparecem, também, em domicílios de enfermos encarnados, integrando equipes espirituais de limpeza de lares.”[7]

Ainda há muito a aprender sobre a mente humana e seus processos, temos em mãos uma quantidade de informação nunca vista, para concretizar uma integração entre várias áreas do conhecimento, como psicologia, medicina,  espiritualismo e física quântica, desta maneira, conheceremos a fundo as verdadeiras razões do desequilíbrio emocional, mental ou físico dos indivíduos.

O maior avanço científico que o indivíduo pode fazer aqui na terra é descobrir o seu Espírito.

 

Bibliografia

  1. Bíblia – Tradução João Ferreira Almeida, Lucas 17:20,21.
  2. RUMI, Jalaluddin; JOHNSON, Will; ERGIN, Nevit. The Rubais of Rumi: Insane with Love. Rochester, Inner traditions, 2007.
  3. SASAKI, Sokei-an. Original Nature: Zen Comments on the Sixth Patriarch’s Platform Sutra. Bloomington, iUniverse, 2012.
  4. TOLSTOI, Leon. O reino de Deus está em vós. Rio de Janeiro, Rosa dos Ventos, 1994.
  5. GROF, Stanislav; GROF, Christina. Respiração Holotrópica. Uma nova abordagem de autoexploração e terapia. Rio de Janeiro, Numina, 2010. Pag. 27.
  6. GERBER, Richard. Medicina vibracional. Uma nova Medicina para o Futuro. São paulo, Cultrix, 2007. Pag. 55.
  7. AZEVEDO, José Lacerda. Espírito / Matéria – Novos horizontes para a medicina – Apometria segundo o seu criador. 9 ed. Porto Alegre, Nova prova, 2007. Pag. 129.
Paralelo entre Religião, Espiritualidade, Ciência e Psicologia transpessoal

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