Ao pensar em Ioga, vem em nossa mente a imagem de pessoas realizando Ásanas, a ponto de definir a prática destas posturas físicas como sinônimo de Ioga, no entanto esta visão simplista está incorreta, na verdade a Ioga é muito mais que as a sociedade ocidental nos faz acreditar.

A Ioga clássica, também conhecida como Raja-ioga, Ioga tradicional, quarta Ioga, ou simplesmente Ioga, é um conjunto de conhecimentos multimilenares, de ordem prática, com o intuito de alcançar a Iluminação espiritual através do foco na mente, e não no corpo. Os ensinamentos da Ioga são profundos e perfeitamente compatíveis com a vida na sociedade ocidental, não é preciso se tornar um monge celibatário para conhecer e praticar os conceitos da Raja-ioga.

A Iluminação, também chamada de Nirvana ou Moksha, é o momento no qual o indivíduo se liberta da roda de Samsara – reencarnações, conhecendo todas as suas encarnações anteriores assim como sua origem cósmica, tornando-se um ascensionado.

Segundo os ensinamentos da Ioga, a Iluminação é atingida através dos oito fundamentos:

A) Yama: Domínio de si através do uso de cinco condutas morais sobre como interagir com os outros e consigo.
B) Niyama: Cinco práticas a serem cultivadas.
C) Asana: Sentar com a coluna ereta sustentando de forma alinhada peito, pescoço e cabeça. A raja ioga não tem como foco a prática de posturas físicas como outras iogas. A postura nesse ponto é aquela necessária para que o meditador consiga se concentrar no objeto da meditação.
D) Pranayama: Equilíbrio da respiração. Na Raja-ioga o Pranayama é secundário e não tem importância central para a prática.
E) Pratyahara:
F) Dharana:
G) Dhyana:
H) Samadhi:

 

A) YamaDomínio de si através do uso de condutas morais sobre como interagir com os outros e consigo.

  • Os Yamas devem ser considerados e praticados não somente através de ações, mas também pela intenção, palavras e pensamentos.
  • Estão listados de maneira hierárquica, os primeiros se sobrepõem aos últimos, por exemplo, se dizer uma verdade (Satya) pode causar uma violência a outro ser, já não é mais uma verdade, pois não está de acordo com Ahimsa – o princípio da não-violência.

Lista das cinco Yamas:

  1. Ahimsa: Não cometer violência contra outros seres. Não matar, agredir, ferir, nem causar nenhum tipo de dor ou dano a nenhum ser vivo. É a mais importante.
  2. Satya: Ser verdadeiro, sincero, autêntico.
  3. Asteya: Eliminar o impulso de apoderar-se de algo que deveria ser compartilhado com o outro, de maneira egoísta. Por exemplo ao experimentar alegria, conhecimento ou abundância, é nosso dever compartilhá-lo com os outros.
  4. Brahmacharya: Passar do estado compulsivo, gerador da infelicidade pela escravidão, para um estado consciente, de felicidade pela liberdade e independência. A questão da abstinência sexual se torna uma consequência do estado consciente do ser e não uma imposição pela conduta moral.

    Nota 1: Como opção à abstinência sexual da Ioga clássica, é possível adotar o Tantra, desta forma, há um equilíbrio entre conservar a energia, que seria desperdiçada pelo orgasmo, e viver a sexualidade plena.
    Nota 2: A abstinência sexual não deve ser realizada a menos que seja natural, caso contrário o princípio do Satya (ser verdadeiro) estará sendo violado, pois a sexualidade reprimida significa mentir a si mesmo.)

  5. Aparigraha: Limitar posses apenas para o estritamente necessário. Cultivando a não possessividade, não realização através dos sentidos, não cobiça e não apego. O desapego deve ser praticado não apenas em relação aos bens materiais, mas também às relações afetivas.

B) Niyama – Práticas a serem cultivadas.

  1. Shaucha: Manter o pensamento, palavra e corpo limpos, evitando a alimentação animal e qualquer pensamento negativo, como raiva, inveja, ansiedade, egoísmo, ódio, orgulho, medo, ganância, etc.
  2. Samtosha: Modificar o íntimo, para re-significar os acontecimentos externos da vida, gerando um contentamento permanente, em forma de alegria, independente das situações externas.
  3. Tapa: Disciplina (foco + força de vontade), visando a eliminar os sentimentos negativos instintivos, como preguiça, desleixo, desmotivação, comodismo, etc.
  4. Svádhyáya: Autoconhecimento, conhecer o verdadeiro Eu, através dos ensinamentos dos mestres como Jesus, Buda, Krishna, Maomé, Lao Tse, etc., e prática através da meditação e das ações diárias, estar acordado, no presente.
  5. Íshvara Pranidhána: Entregar-nos a algo maior do que nós, ao universo inteligente. Gastamos uma grande quantidade de energia preocupados com o dia seguinte, a semana seguinte, o mês seguinte. Este padrão é quase sempre um esforço para controlar as circunstâncias. Ao abandonar esse controle (ou, como alguns diriam, nosso falso senso de controle) o deixamos para algo maior, que possui inteligência e conhecimento superior.

C) Asana – O significado original é “sentar”, com coluna ereta sustentando de forma alinhada peito, pescoço e cabeça. A raja ioga não tem como foco a prática de posturas físicas como outras iogas. A postura nesse ponto é aquela necessária para que o meditador consiga se concentrar no objeto da meditação.

  1. Pranayama equilíbrio da respiração. Na mantra ioga, laia ioga e raja ioga o Pranayama é secundário e não tem importância central para a prática.[9].
  2. Pratyahara abstração dos sentidos, retirada dos sentidos dos seus objetos de percepção. Pela prática apropriada de Pratyahara os sentidos são totalmente controlados. Eles se tornam um veículo obediente, levando o praticante aonde ele desejar. O praticante adquire maestria sobre os sentidos. [10]
  3. Dharana concentração uni-direcionada da mente de forma sustentada em um aspecto do objeto de meditação. A intenção é investigar a verdade por trás do objeto de concentração. Mantendo a distinção do objeto e suas propriedades, daquilo que o circunda, conduz a uma clara e vigorosa consciência do objeto.[11]. A meditação ocorre com Dharana e Dhyana juntamente.
  4. Dhyana meditação, estabilização do estado uni-direcionado. Quando a mente foi treinada para permanecer em um ponto externo ou interno, ela recebe um poder de fluir ininterruptamente em direção à esse ponto.[12]
  5. Samadhi estado de consciência tranquila, superconsciente, absorvida. Quando Dhyana se torna capaz de abandonar a parte externa da percepção e permanece meditando, esse estado é chamado Samadhi. [13]

A prática dessa modalidade de ioga traz benefícios a mente, às emoções e ao corpo. Sendo que a prática regular, tem como objetivo atingir pleno controle da mente.

D) Pranayama: Equilíbrio da respiração. Na Raja-ioga o Pranayama é secundário e não tem importância central para a prática.

E) Pratyahara: Abstração dos sentidos, retirada dos sentidos dos seus objetos de percepção. Pela prática apropriada de Pratyahara os sentidos são totalmente controlados. Eles se tornam um veículo obediente, levando o praticante aonde ele desejar. O praticante adquire maestria sobre os sentidos.

F) Dharana: Concentração uni-direcionada da mente de forma sustentada em um aspecto do objeto de meditação. A intenção é investigar a verdade por trás do objeto de concentração. Mantendo a distinção do objeto e suas propriedades, daquilo que o circunda, conduz a uma clara e vigorosa consciência do objeto. A meditação ocorre com Dharana e Dhyana juntamente.

G) Dhyana: Meditação, estabilização do estado uni-direcionado. Quando a mente foi treinada para permanecer em um ponto externo ou interno, ela recebe um poder de fluir ininterruptamente em direção à esse ponto.

H) Samadhi: Estado de consciência tranquila, superconsciente, absorvida. Quando Dhyana se torna capaz de abandonar a parte externa da percepção e permanece meditando, esse estado é chamado Samadhi.

 

Referências:

  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Raja-ioga
  • http://www.newworldencyclopedia.org/entry/Raja_yoga
  • https://blog.yogaglo.com/2012/11/the-yamas-brahmacharya/
  • Dasgupta, Surendranath. 1973. A History of Indian Philosophy, Vol. I. Delhi: Motilal Banarsidass. ISBN 8120804120
  • Patañjali, & B. S. Miller, (1996). Yoga discipline of freedom: the Yoga Sutra attributed to Patanjali ; a translation of the text, with commentary, introduction, and glossary of keywords. Berkeley, Calif: University of California Press. ISBN 0520201906
  • Patanjali, and B. K. S. Iyengar. 2002. Light on the yoga sutras of Patanjali. London: Thorsons. ISBN 0007145160
  • Radhakrishnan, Sarvepalli and Moore, Charles A., eds. A Sourcebook in Indian Philosophy. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1973. ISBN 0691019584
  • Sharma, Chandrahar. 2003. A Critical Survey of Indian Philosophy. Delhi: Motilal Banarsidass. ISBN 8120803647
  • Sivananda, Swami. Raja Yoga. reprint ed. Kessinger Publishing, 2005. ISBN 978-1425359829
  • Thakar, Vimala. Glimpses of Raja Yoga: An Introduction to Patanjali’s Yoga Sutras (Yoga Wisdom Classics). Rodmell Press; 1st North American Pbk. Ed edition, 2004. ISBN 978-1930485075
  • Villoldo, Alberto. 2007. Yoga, power, and spirit Patanjali the Shaman. Carlsbad, Calif: Hay House, Inc. ISBN 9781401910471
  • Vivekananda,Swami. Raja-Yoga. Ramakrishna-Vivekananda Center; Pocket Rev edition (June 1980. ISBN 978-0911206234
  • Zimmer, Heinrich Robert. 1951. Philosophies of India. Bollingen series, 26. [New York]: Pantheon Books.
O que é Ioga? Resumo da Ioga clássica (Raja-ioga)

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